Abelardo Barbosa ‘Chacrinha’: biografia do lendário apresentador (histórias e vida)

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biografia do famoso apresentador Chacrinha, vida de Abelardo Barbosa

Abelardo Barbosa, mais conhecido simplesmente por Chacrinha, foi um dos grandes nomes da televisão brasileira. Quem não se lembra dos abacaxis?

Nascimento:

José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, nasceu em Surubim, cidade localizada no agreste pernambucano, no dia 30 de setembro de 1917. Foi casado com dona Florinda Barbosa por 41 anos e teve 3 filhos: José Amélio, Jorge Abelardo e Zé Renato.

O trabalho:

Chacrinha dedicou toda sua vida ao trabalho. ‘Acima de tudo, tentei dar ao meu programa um aspecto tropical, nordestino’, costumava explicar o Velho Guerreiro. Mas a tarefa para a qual ele próprio se incumbiu não era muito fácil. ‘Deus sabe o que me custa fazer esse tipo de programa na nossa TV tão massificada e dilacerada pela TV estrangeira’, dizia.

Trabalhou quase 50 anos, inicialmente no rádio e depois na televisão, se consagrando como o primeiro comunicador do Brasil. O palhaço do povo, como ele mesmo se definia.

Quando Chacrinha entrou na rádio Clube de Pernambuco, em 1937, convidado para uma palestra sobre o álcool e suas consequências, o Brasil perdia um médico e ganhava seu mais célebre palhaço. Foi uma troca que valeu-lhe a fama. Chacrinha começou a estudar medicina em 1936, tentando se livrar da palavra falência que sempre acompanhou seu pai, um comerciante.

Dois anos depois de começar seus estudos de medicina, isto é, em 1938, caiu nas mãos de colegas já formados que o salvaram de uma apendicite supurada e gangrenada. Ainda convalescente da delicada cirurgia, ele, como percussionista do grupo ‘Bando Acadêmico’, viajou como músico no navio Bagé rumo à Europa, em 1939. Na volta desembarcou no porto do Rio de Janeiro, decidido a tentar a vida na então capital federal.

No Rio, Chacrinha começou sua coleção de empregos. Tentou ser locutor da rádio Vera Cruz e, posteriormente, da Tupi e da rádio Clube Fluminense, mas seu forte sotaque nordestino não combinava com a função de locutor comercial.

Na rádio Clube de Niterói, insatisfeito com a programação, Abelardo Barbosa pediu à direção da emissora para fazer um programa de música carnavalesca tarde da noite. ‘O Rei Momo na Chacrinha’ vingou e foi ao ar em 1942. O estilo irreverente do comunicador, que recebia seu público de cuecas e com um lenço na cabeça, acabou ganhando o apelido de Chacrinha (o programa era gravado em uma chácara). Após o carnaval daquele ano, o programa mudou de nome para ‘O Cassino da Chacrinha’, assim mesmo, no feminino.

O programa era pouco convencional. Chacrinha simulava entrevistas com artistas famosos e recriava a atmosfera de um verdadeiro cassino com efeitos sonoros malucos que não dispensavam a colaboração de galos e outros bichos que existiam na chácara. O ‘Cassino da Chacrinha’ ficou no rádio até 1955, quando o ‘velho guerreiro’ foi batalhar na televisão, no caso a Tupi do Rio, onde apresentava seu programa ‘Rancho Alegre’.

Na TV:

Quase todas as emissoras de televisão do Brasil tiveram o apresentador como contratado. Em 1959 a ‘Discoteca do Chacrinha’ era o programa mais popular da TV. O ex-futuro médico já se apresentava com as mais extravagantes fantasias. Em 1968, o péssimo humor dos censores não aprovava as maluquices e Chacrinha chegou aos anos 70 seguido de perto por eles.

Seus programas de calouros e de divulgação da MPB, como a Discoteca do Chacrinha, a Buzina do Chacrinha e o Cassino do Chacrinha foram sucesso em todas as emissoras nas quais Chacrinha trabalhou: Tupi, TV Rio, Bandeirantes e Globo.

A ‘Buzina do Chacrinha’ foi criada por ele em 1968, na Globo, quando comandava o programa de calouros aos domingos. Às quartas-feiras era o dia da ‘Discoteca do Chacrinha’, programa que lançou muitos ídolos da MPB e que tinha como atração as chacretes, que se transformaram em verdadeiras musas da televisão na década de 70.

Censurado sob a acusação de pornográfico e alienado, respondia: ‘Eu sei o que o povo precisa para se divertir’. Na década de 80, as chacretes faziam a alegria de milhões. Rita Cadillac, a mais famosa, foi escolhida a dedo. ‘Tem que ser boazuda, ter coxões e peitos grandes, porque homem só gosta de magra para casar’, dizia.

O bacalhau:

Quando o bacalhau encalhou nas Casas da Banha, seu patrocinador na TV Tupi, Chacrinha arrumou um jeito de reverter a situação. Durante o programa, virava-se para o auditório: ‘Vocês querem bacalhau?’ A platéia disputava a tapa o produto.

Sua morte:

Chacrinha estava em casa conversando com um amigo, Jorge Ramalhete, quando começou a sentir fortes dores no peito. Ramalhete o carregou até seu quarto enquanto Florinda ligava para um pronto-socorro. ‘Eu o coloquei deitado na cama, mas ele sentia muitas dores e pediu para ficar sentado. Quando o peguei para sentá-lo, ele morreu…’, contou Ramalhete.

Chacrinha morreu às 23h40, em sua casa, na Barra da Tijuca, em 30 de julho de 1988 (quinta-feira). 30 mil pessoas passaram pelo saguão principal da Câmara dos Vereadores, no centro do Rio, para participar do velório. Abelardo Barbosa, o Chacrinha, morreu aos 70 anos de infarto do miocárdio e insuficiência respiratória (tinha câncer no pulmão).

Frases famosas do mestre:

“Eu vim pra confundir, não pra explicar.”

“Na TV nada se cria, tudo se copia.”

“Não sou psicanalista e nem analista. Sou vigarista.”

“A melhor lua pra se plantar mandioca é a lua-de-mel.”

“Alô, Dona Maria, seu dinheiro vai dar cria.”

“Quem não se comunica, se trumbica.”

“Terezinha, uuuuuhhh!”

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