A história das Olimpíadas: da Grécia antiga até a Era Moderna
Na Grécia antiga, o calendário era medido de quatro em quatro anos, denominado olimpíada. Essa expressão nasceu em Olímpia, região localizada a noroeste de Peloponeso, entre os rios Alfios e Kladios.
Em 1.500 a.C., ao se encerrar um calendário (uma olimpíada), os responsáveis pela cidade organizavam uma festa cívica e religiosa, homenageando os mortos desse período. A festa era sempre na primeira lua cheia de verão, durando um dia e uma noite.
No início da cerimônia, sacerdotisas acendiam uma chama no altar de Hera (filha de Rhea e irmã de Zeus – pai de todos os deuses) e vários rapazes competiam em uma corrida a pé pela cidade pelo privilégio de carregar a tocha com a chama até o altar.
Como a Grécia não era uma nação, cada clã organiza as suas cerimônias e competições. Em Delfos, eram disputados os Jogos Píticos, em honra a Apolo, o deus da beleza. Em Corinto, eram os Jogos Ístmicos, em homenagem a Posêidon, o deus das águas. Em Argos, os Jogos Nemeus, em honra a Zeus.
Mas era em Olímpia que as cerimônias eram maiores, com a organização de verdadeiras romarias. Devido ao grande movimento, antigas rixas entre os clãs começaram a reaparecer. Os sábios da cidade, para evitar tumultos nessa época, resolveram organizar disputas paralelas à cerimônia religiosa. Com isso, essas rixas acabavam sendo esquecidas. Motivo pelo qual os Jogos Olímpicos passaram a ser conhecidos como os Jogos da Paz.
Por volta de 775 a.C., os reis de Pisa, Esparta e Ilía firmaram um tratado de paz (o Ekeheiria). Esse acordo foi consagrado meses depois em Olímpia, quando se reuniram os principais atletas dos três feudos. Num disco de pedra, foram inscritas as regras básicas desse acordo, com a assinatura dos três reis. E é nessa pedra que é encontrada a frase: Jogos Olímpicos de Ekeheiria.
A partir desta data, os demais feudos começaram a organizar atividades internas, para selecionar seus melhores atletas. Em 724 a. C., foi programado então, além da corrida a pé (o aulus), uma prova em dois estádios, ou seja, duas voltas na pista (o diaulus). Em 720 a.C, foi organizada uma prova de resistência, com 24 voltas (o dolichus). Em 708 a. C, o Pentatlo era disputado, consistindo de uma corrida de velocidade, duas disputas de arremesso de dardo e disco, salto em distância e uma luta.
Em seguida, esses jogos começaram a atrair atletas de outras colônias da Grécia, da África e das costas do mar Mediterrâneo. Foi quando os jogos passaram a contar com um programa e conceitos rigorosos. Assim, eles passaram a ter uma cerimônia de abertura, com o juramento dos atletas sobre o sangue do sacrifício de animais. No segundo dia, eram disputados o Pentatlo, as corridas de charretes de quatro rodas (puxadas por dois ou quatro cavalos). No terceiro dia, era a vez das corridas. No quatro, as lutas livres ou com punho. No quinto, a distribuição dos prêmios durante um banquete.
O estádio de Olímpia tinha o formato da letra U, sendo bastante estreito: 211 metros de comprimento por 31 metros de largura. E suas arquibancadas acomodavam cerca de 4.000 pessoas. Ao lado do estádio, ficava o hipódromo, para as competições com os cavalos, que podiam ser assistidas por até 15.000 pessoas.
Inicialmente, as competições eram estritamente masculinas. Mas a Grécia acabou permitindo que as mulheres passassem a organizar um torneio paralelo, chamado de Heraea, na metade de cada intervalo de quatro anos. A primeira participação das mulheres em competições ocorreu em 750 a. C., durante uma festa de casamento. Seis anos depois, essas mulheres conseguiram autorização para participação integral nos jogos.
Como a participação nos jogos era considerada uma homenagem monumental, só podiam se inscrever nas provas atletas de passado limpo e de caráter ilibado. Os escravos e aqueles que tinham uma “marca” negativa em seu currículo eram impedidos de participar das competições. Os prêmios para os vencedores eram uma folha de palmeira e uma coroa de ramos trançados de oliveira, colhidos junto ao templo de Zeus.
Em 708 a. C., os sábios de Olímpia instituíram uma nova prova para determinar o melhor dos melhores dos atletas: o triastes – a soma do aulus, do diaulus e do dolichus. Por doze anos consecutivos (quatro jogos), o vencedor dessa prova foi Leônidas de Rodes.
Em 684 a. C., surgias o pancrácio – uma mistura de pugilismo e luta livre, com luvas de vime -, e a corrida de bigas (charretes de duas rodas).
Em 650 a. C., além dos prêmios concedidos a cada jogos, os vencedores passaram também a receber uma cora de folhas de louro, oferecida ao atleta de “comportamento político extraordinário”.
Em 632 a. C., os jogos já contavam com a disputa de 20 modalidades diferentes. Em 592 a. C., Sólon ofereceu a cada campeão mil dracmas em moedas. Em 444 a. C., foi incluído aos jogos um departamento artístico, com prêmios destinados à escultura, à filosofia e à pintura.
Em 456 a. C., Roma invadiu a Grécia, que perdeu sua independência. Mas os romanos procuraram manter viva a tradição dos jogos e passaram a estimular seus jovens a desafiarem os helênicos. Foi quando os Jogos da Paz acabaram se transformando em jogos da discórdia e da corrupção. Para superar os helênicos, Roma profissionalizou seus atletas e, quando estes não conseguiam vencer os gregos nas disputas, procuravam subornar seus adversários. A influência do dinheiro aumentou então a ira entre invasores e dominados. Em 17 a. C. o imperador Tibério e seu sobrinho Germânicus não pouparam esforços (inclusive a sedução) para vencerem a quadriga dupla.
Em 67 a. C., o louco Nero ganhou o prêmio da quadriga, depois de ter ameaçado seus adversários. Ele ainda exigiu ganhar o prêmio de poesia. Com isso, os jogos perderam todo o conceito que tinham de ética e moral.
Em 390, em Tessalônica, foi feita uma celebração circense, uma festa pagã, com toda a libertinagem permitida. Provocados por gregos humilhados, os romanos incendiaram moradias e espancaram a população. Autorizados pelo imperador de Roma, Teodósio I, os romanos massacram mais de 7.000 helênicos.
Em 388, os godos de Alarico desvastaram Olímpia. Mais de um século depois, os bárbaros do centro-leste da Europa invadiram Roma e suas províncias da Grécia. Seqüestraram a estátua de Zeus, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, que ainda era adorado em Olímpia. Toda de marfim, em um suporte de barras de ouro puro, a estátua tinha 18 metros de altura e pesava duas toneladas. Durante anos, foi mantida intacta pelos bárbaros que, em 491, tocaram fogo em Zeus, com a própria chama de Olímpia.
No século 6, um terremoto arrasou parte de Olímpia e seu estádio. Depois, uma avalancha, seguida de inundação, atolou as ruínas embaixo de seis metros de terra e pedras. Por muitos anos, Olímpia ficou esquecida. Mas, em meados do século 19, especialmente a Europa, começaram uma investigação arqueológica.
O alemão J. J. Wincklemann, em 1870, iniciou várias escavações na Grécia. Em 1871, ele detectou indícios da existência de Tróia. Em 1875, com o apoio financeiro de William Chandler, foram achadas as ruínas de Olímpia. Depois de 12 meses de trabalho, já podiam ser vistos os alojamentos do atletas.
Apaixonado pelo esporte, Pierre de Fredi, o barão de Coubertin, decidiu iniciar o estudo das histórias dos jogos. Seu lema, inspirado numa frase que escutara de um bispo norte-americano era: “O importante não é vencer, mas competir, e competir com dignidade.” Foi então que ele acreditou que uma versão moderna dos Jogos faria com que a Europa renunciasse a uma Guerra. Comissionado pelo governo francês , Coubertin assistiu aos Jogos Pan-Helênicos e assim se empolgou com a possibilidade de ressuscitar as olimpíadas.
Foi então aos Estados Unidos, à Inglaterra e à Prússia, divulgando sua idéia. Mas não teve sucesso, sem contudo ter desistido. Depois de muita insistência, conseguiu realizar, em 1894, uma pré-convenção olímpica, na Universidade de Sorbonne, em Paris, reunindo delegados oficiais de 13 nações e 21 representantes informais de outros países. Foi quando conseguiu um compromisso formal dos participantes desse encontro: a realização de competições esportivas a cada quatro anos, quando todas as nações seriam convidadas a participar. Um amigo de Coubertin, o padre jesuíta Henri Didon, emprestou-lhe o lema, que iria coroar os jogos: “Citius, Altius, Fortius” – “Cada vez mais longe, cada vez mais alto e cada vez mais forte”.
Foi marcada então, nesse encontro de Paris, a data para a realização desses jogos: abril de 1896, primavera na Europa. Atenas foi a cidade escolhida depois para promover esse evento. Desde então, a cada quatro anos, os Jogos Olímpicos da era moderna vêm sendo disputados, tendo sido interrompidos apenas em 1916, 1940 e 1944, devido às Guerras Mundiais.
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Esportes aquáticos: a história da natação no Brasil
Como prática desportiva a natação surgiu no Brasil em 1898, quando foi disputado o primeiro campeonato brasileiro, por iniciativa do Clube de Natação e Regatas, no Rio de Janeiro.
A competição constituiu-se de uma única prova, de 1.500m nado livre, disputada apenas por homens, e realizada no trecho situado entre a fortaleza de Villegagnon e a praia de Santa Luzia.
A partir de 1913, o campeonato brasileiro passou a ser promovido pela Federação Brasileira das Sociedades do Remo, na enseada de Botafogo. Além dos 1.500m nado livre, também foram disputadas provas de 100m para estreantes, 600m para seniores e 200m para juniores.
O esporte passou a ser controlado, em 1914, pela Confederação Brasileira de Desportos, responsável a partir de então pela organização das competições em âmbito nacional.
A primeira piscina de competição foi inaugurada em 1919, no Fluminense Futebol Clube do Rio de Janeiro. Em 1923, os paulistas também ganharam sua piscina: a da Associação Atlética de São Paulo. O grande nome da natação nesse período foi Abraão Saliture, vencedor de vários campeonatos (1901 a 1906 e 1909 a 1920). Em 1908, venceu em Montevidéu as provas de 100 e 500m, com o que iniciou um período de hegemonia do Brasil nesse esporte, na América do Sul.
Somente a partir de 1935 as mulheres entraram oficialmente nas competições. Destacaram-se inicialmente Maria Lenk, vencedora de todas as provas realizadas nesse ano e Piedade Coutinho (vencedora do campeonato de 1941). Em 1929, ao regularizar-se a disputa do Sul-Americano, o Brasil passou a dominar regularmente essa competição. Obteve também bons resultados na Copa Latina, criada em 1970.
O Brasil projetou-se internacionalmente com alguns nadadores que obtiveram marcas mundiais: Maria Lenk, recordista mundial nas provas de 200 e 400m, nado de peito, em 1939; Manuel dos Santos, que em 1961, no Rio de Janeiro, nadou os 100m nado livre em 53s6, recorde mundial até 1964; José Sílvio Fiolo, que em 1968 estabeleceu a marca mundial de 1min06s4 para os 100m, nado de peito; e Ricardo Prado, que se tornou em 1984 recordista mundial dos 400m medley, com 4min19s78.
Na década de 1990, uma geração de nadadores brasileiros, entre eles Gustavo Borges, Fernando Scherer, Rogério Romero, Daniela Lavagnino, Adriana Pereira, Patrícia Amorim e Ana Azevedo, quebrou recordes sul-americanos e mundiais. Gustavo, em 1992, obteve medalha de prata nos 100m nado livre, nos Jogos Olímpicos de Barcelona e, em 1993, bateu o recorde mundial de 100m nado livre, em piscina de 25m, com o tempo de 47s94. No mesmo ano, a equipe brasileira de 4 x 100m nado livre, integrada por Gustavo Borges, Fernando Scherer, José Carlos Jr. e Teófilo Ferreira, baixou a marca mundial da prova em piscinas de 25m, com o tempo de 3m12s11.
César Cielo é nosso herói atual, medalha de ouro nas últimas Olimpíadas. Tem muito tempo ainda de carreira e tede a se tornar o maior nadador brasileiro de todos os tempos!
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Esportes aquáticos: a história dos estilos da natação
O primeiro estilo de natação empregado era uma braçada de peito executada de lado. Inicialmente os dois braços se movimentavam dentro da água, mas depois, para diminuir a resistência da água, passou-se a levar um dos braços à frente pela superfície, num estilo que recebeu o nome de single overarm stroke.
Nova modificação deu origem ao double overarm, em que os braços eram levados à frente pela superfície, alternadamente. As principais dificuldades do novo estilo estavam no movimento de pernas, semelhante ao de uma tesoura. Esse estilo foi aperfeiçoado em 1893 por J. Arthur Trudgeon, ao aplicar observações que fizera com os nativos da América do Sul. Nesse nado, que recebeu o nome de trudgeon, as pernas eram apenas estabilizadoras da posição horizontal e praticamente não se moviam.
A batida de pernas evoluiu, porém, quando outro inglês, Frederick Cavill, observou que os indígenas australianos nadavam agitando as pernas perpendicularmente à superfície da água. Seu filho Richard adotou o estilo (crawl australiano) e bateu o recorde mundial das cem jardas em 1900. Outro filho de Cavill, Sidney, levou o estilo para os Estados Unidos, onde se criou o crawl americano. Atualmente, a natação é praticada em quatro estilos: crawl (comumente chamado nado livre), costas, peito e golfinho.
O nado de crawl é o mais rápido. O nadador se movimenta com o abdome voltado para a água: a ação das pernas se faz em golpes curtos e alternados, no plano vertical à superfície. O movimento dos braços também é alternado, de tal forma que um comece a puxar a água imediatamente antes que o outro termine de fazê-lo. Quando um dos braços está fora da água, o nadador pode virar a cabeça para respirar desse lado. Quanto maior o número de braçadas antes de executar a respiração, maior o rendimento.
No nado de costas, o nadador permanece todo o percurso com o abdome voltado para fora da água. A batida de pernas é semelhante à do crawl. Os braços alongam-se por sobre a cabeça alternadamente e entram na água passando junto à orelha, com a palma da mão virada para fora, de tal forma que o dedo mínimo seja o primeiro a penetrar na água. Em seu movimento até o quadril, o braço empurra a água e impulsiona o corpo na direção contrária.
O mais lento dos estilos é o nado de peito. É executado com o corpo e os braços estendidos, as palmas das mãos viradas para fora e o rosto dentro da água. As pernas são trazidas para junto do corpo, com os joelhos dobrados e abertos, enquanto os braços se abrem e recolhem à altura do peito. Em seguida, as pernas são impelidas para trás, para impulsionarem o nadador, num movimento parecido com o da rã, ao mesmo tempo em que os braços são esticados para a frente. A inspiração de ar é feita no final da puxada do braço, quando o nadador ergue a cabeça para fora da água.
O nado borboleta surgiu como uma variação do nado de peito, em que os braços eram lançados à frente por cima da água. O estilo foi criado em 1935 pelo americano Henry Myers. A partir de 1952, por determinação da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA), passou a ser prova específica, com a adoção de um movimento simultâneo e sincronizado dos pés, no plano vertical, o que aumentou a velocidade e deu origem ao estilo que atualmente é chamado de golfinho.
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