Como é realizado o tratamento da dor crônica?
O tratamento da dor crônica é absolutamente individualizado, cada dor é a “dor de uma pessoa”, com uma história, criação, seu contexto e seu momento. A dor é subjetiva, mas não é abstrata.
O tratamento da dor crônica é complexo, e seu sucesso terapêutico requer esforço multidisciplinar, baseado em múltiplos enfoques do conhecimento humano, os quais incluem a neurologia, a neurocirurgia, a psicologia, a psiquiatria, a anestesiologia, a fisiatria, e técnicas de medicina física, dentre muitas outras. Tão importante quanto o médico que interage com o portador de dor crônica é a atuação do profissional da enfermagem, que assume a função de “cuidador” do paciente, e do qual na maioria das vezes depende o sucesso ou falha terapêutica do tratamento instituído.
Ela é sentida por alguém que precisa ser compreendido e respeitado, e que na maioria das vezes, encontra-se com medo de sua realidade: não entende por que tem dor, teme a causa da dor, teme sua doença, seu tratamento, seu prognóstico, e a própria perspectiva de sentir (ou não) sua dor. Teme seu futuro, caso sua dor esteja controlada neste momento, teme seu descontrole no próximo instante. Teme a perspectiva de experimentar uma nova (e pior) dor a cada momento, e que talvez não tenha controle. Teme a morte, mas, principalmente, teme o próximo instante de vida.
Muitas vezes, nega a dor, como que se a negando, negasse sua doença, seu momento atual e seu futuro. Nega sua dor aos seus familiares e entes queridos, filhos e companheiros, temendo preocupá-los ou mesmo temendo seu abandono, tende a isolar-se, para sofrer sem testemunho, e desta forma, tentar manter o que entende por “dignidade”.
Então, a dor é uma sensação, e a reação a esta sensação. Mas a dor gera sofrimento. E o que consideramos sofrimento? Consideramos sofrimento a um conceito mais global, um sentimento negativo que prejudica a qualidade de vida do sofredor.
Tanto o aspecto físico, quanto o aspecto psicológico atuam no sofrimento, e a dor pode ser apenas um pequeno componente circunstancial.
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Classificação da dor: aguda, crônica e recorrente
Quais são os tipos de dor?
DOR AGUDA:
Aquela que se manifesta transitoriamente durante um período relativamente curto, de minutos a algumas semanas, associada a lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção, traumatismo ou outras causas. Normalmente desaparece quando a causa é corretamente diagnosticada e quando o tratamento recomendado pelo especialista é seguido corretamente pelo paciente.
A dor constitui-se em importante sintoma que primariamente alerta o indivíduo para a necessidade de assistência médica. Veja aqui alguns exemplos:
- a dor pós-operatória (que ocorre após uma cirurgia);
- a dor que ocorre após um traumatismo;
- a dor durante o trabalho de parto;
- a dor de dente;
- as cólicas em geral, como nas situações normais (fisiológicas) do organismo que podem provocar dores agudas, como o processo da ovulação e da menstruação na mulher.
DOR CRÔNICA:
Tem duração prolongada, que pode se estender de vários meses a vários anos e que está quase sempre associada a um processo de doença crônica. A dor crônica pode também pode ser conseqüência de uma lesão já previamente tratada.
Exemplos: Dor ocasionada pela artrite reumatóide (inflamação das articulações), dor do paciente com câncer, dor relacionada a esforços repetitivos durante o trabalho, dor nas costas e outras.
DOR RECORRENTE:
Apresenta períodos de curta duração que, no entanto, se repetem com freqüência, podendo ocorrer durante toda a vida do indivíduo, mesmo sem estar associada a um processo específico. Um exemplo clássico deste tipo de dor é a enxaqueca.
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Dor do membro fantasma: um sofrimento para os amputados
A maioria dos amputados menciona a percepção de dor em um membro fantasma, quase imediatamente depois da amputação do membro. Ele é geralmente descrito como uma forma precisa do membro real desaparecido. Este “fantasma” deve ser produzido pela ausência de impulsos nervosos do membro. Quando um nervo é seccionado, produz uma violenta descarga lesional em todos os tipos de fibras. Esta excitação diminui rapidamente e o nervo seccionado torna-se silencioso, até que novas terminações nervosas comecem a crescer. Isto implica que o sistema nervoso central dá conta da falta de influxo normal.
Alguns amputados têm tão pouca dor ou sentem-na tão esporadicamente, que negam padecer de um membro fantasma doloroso. Outros sofrem dores periódicas, variando de alguns crises quotidianas, a uma só por semana ou quinzena.Ainda outros têm dores contínuas que variam em qualidade e intensidade. Ela é descrita como ardente ou esmagadora. Pode começar imediatamente após a amputação ou semanas, meses e até anos mais tarde. Sente-se em pontos precisos do membro fantasma.
Se a dor persiste por longo tempo , outras regiões do corpo podem tornar-se sensíveis e o simples toque destas “zonas de gatilho” pode provocar dores intensas no membro fantasma. Além disso a dor é muitas vezes causada por impulsos viscerais resultantes da micção e defecação. Mesmo as perturbações emotivas podem aumentar notavelmente a dor. Pior ainda , é que os métodos cirúrgicos convencionais muitas vezes não conseguem dar alívio permanente , sendo que estes doentes podem recorrer a uma série de operações, sem diminuição da intensidade de dor. Entretanto, a descoberta da “teoria do portão” para controle de dor aferente ou central desenvolve numa nova tecnologia neurocirúrgica, a microcirurgia, capaz de lesar só as fibras finas, sem com esta comprometer a inibição das fibras grossas.
Características da dor fantasma:
A dor pode subsistir por muito tempo , após a cicatrização dos tecidos lesados, uma vez que a dor está relacionada com uma regeneração defeituosa dos nervos do coto o que pode formar neuromas. Por vezes, a dor pode assemelhar-se à que estava presente antes da amputação
As “zonas -gatilho” podem estender-se a regiões do mesmo lado ou do lado oposto do corpo. A dor numa zona distante do coto pode suscitar sofrimento no membro fantasma.
Diminuições temporárias de influxo somático podem levar a um alívio prolongado da dor. O tratamento consiste em reduzir os influxos, por infiltração de um anestésico local, em pontos sensíveis ou em nervos do coto).
O aumento do influxo sensitivo pode originar um alívio prolongado da dor. A injeção de pequenas doses de uma solução salina hipertônica no tecido invertebral dos amputados produz uma dor localizada e aguda que irradia par o membro fantasma, dura cerca de 10 minutos e pode produzir um alívio por horas, semanas, por vezes indefinidamente. Entretanto, esta teoria é apenas um controle temporário e precário, que foi gradualmente substituída pela microcirugia.
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