Coelhos: características, cuidados, alimentação e curiosidades sobre o símbolo da Páscoa

Coelho é um mamífero da ordem dos lagomorfos e família dos leporídeos. Possui orelhas e pernas compridas, tem a cauda curta e não sobressai como corredor.

São todos herbívoros, e diferem dos roedores por terem dois pares de dentes incisivos no maxilar e um par pequeno imediatamente atrás do par maior. Seus membros anteriores terminam por cinco dedos, os posteriores por quatro e todos providos de unhas.

O coelho apoia apenas os dedos no chão levantando o metacarpo e o metatarso; é, portanto, como a maioria dos roedores, um animal semi-plantígrado. O pêlo varia conforme a raça. Pode ser liso e curto, bem peludo com pêlos mais longos e até com o pêlo meio enrolado. A maior parte de suas espécies costuma abrir galerias subterrâneas, onde diversas gerações se sucedem nos mesmos ninhos.

Mede entre 35 e 50cm e pesa entre 1,2 e 2,5kg. Tem uma pelagem de cor acinzentada com laivos amarelo-acastanhados na nuca e nas patas, e a face anterior esbranquiçada. Quando em movimento, identifica-se facilmente pelo seu estilo de corrida em apertados ziguezagues.

Vive em zonas onde o mato é abundante, preferindo os terrenos secos e arenosos, mais fáceis para a construção de tocas. A alimentação é constituída essencialmente por plantas herbáceas, raízes, grãos e mesmo cascas suculentas de algumas árvores.

É um animal de hábitos noturnos e crepusculares, embora possa ser visto durante o dia quando não há interferência humana. Vive em colônias, que, em caso de densidades elevadas, podem atingir os 20 indivíduos. O coelho reproduz-se quase todo ano, embora seja mais ativo entre março e maio.

Com um período de gestação de apenas 28/33 dias, cada fêmea tem três a sete ninhadas por ano, produzindo cada ninhada entre duas a sete crias, cegas, surdas e sem pêlo, que, ao fim de 3,5 meses no caso das fêmeas e 4 meses no caso dos machos, já estão aptas a reproduzir. Tem uma longevidade máxima de nove anos.

Diferenças entre coelhos e lebres

Por “lebre” são conhecidas as espécies dos gêneros Lepus e Sylvilagus, este último exclusivamente americano. As principais diferenças entre lebre e coelho são as seguintes: no modo de cuidado da prole, os coelhos recebem máxima atenção dos pais, já as lebres nascem desprovidas de qualquer atenção parental.

Os filhotes de lebres nascem cobertos de pêlos e com olhos abertos, as patas posteriores muito desenvolvidas; os filhotes de coelhos nascem nus, de olhos fechados, as patas traseiras menores. Os ninhos das primeiras são feitos na superfície do solo, e os dos segundos em tocas na terra. As orelhas e pernas dos coelhos, assim como todo o seu corpo, são sempre menores do que os das lebres. Outra diferença está na muda da pelagem, a qual em coelhos não ocorre e em lebres suas pelagens se tornam branca no inverno, após sofrerem a troca.

História

Os primeiros dados referentes à criação do coelho e sua exploração datam dos tempos mais remotos, entretanto a sua origem é muito discutida.

Alguns afirmam ser o coelho originário do sul da Europa, e que só muito depois foi introduzido nos outros países. Entretanto, muitos afirmam ser o coelho proveniente do sul da África, de onde passou para a Europa, daí se propagou logo com rapidez por todo o Continente.

Nada sabemos ao certo quando foi domesticado este roedor, entretanto parece que os romanos foram os primeiros a criar os coelhos, em liberdade, em grandes parques. Mais tarde, as primeiras tentativas da domesticação do coelho foram iniciadas nos conventos, onde os monges da Idade Média foram os primeiros propagadores da cunicultura em alojamentos e gaiolas, por toda Europa, principalmente na Bélgica, França, Inglaterra de onde essa criação do coelho se espalhou pelo mundo todo.

Somente muitos anos depois é que a criação do coelho foi introduzida nos Estados Unidos e Canadá, países estes em que a cunicultura alcançou o seu maior desenvolvimento. Nos Estados Unidos, o centro da criação de coelhos está situado na Califórnia, onde são encontradas as maiores granjas, cujos animais são enviados para todo país, não só como reprodutores para início de criação, como também abatidos, cuja carne é destinada aos hospitais, hotéis e casas de carne.

Durante a última guerra mundial, muitos países que tinham dificuldades em adquirir carne para o mercado interno, incentivaram o povo a dedicar-se à criação de coelho. Nos Estados Unidos, por exemplo, a criação doméstica do coelho passou a ter um caráter industrial, pois devido ao consumo cada vez maior da carne que não estava sujeita aos cartões de racionamento, as criações foram aos poucos aumentando a produção para melhor atenderem ao mercado consumidor.

Episódio clássico de perturbação ecológica foi a introdução do coelho europeu na Austrália. Levado para aquele país no século XIX, esse mamífero ali se multiplicou em níveis insuspeitáveis ao se ver livre dos predadores naturais e logo se converteu em praga para a lavoura. Todos os esforços para controlar a situação foram inúteis, até que se inoculou nos animais a mixomatose infecciosa, doença endêmica entre os coelhos brasileiros, mas que para o europeu foi fatal em 99% dos casos.

No Brasil, a criação de coelho bem orientada, organizada e com fins comerciais começou a aparecer a partir de 1957 no Estado de São Paulo, após a 1ª Exposição de coelhos realizada na cidade de Leme, patrocinada pelo Departamento de Produção Animal da Secretaria da Agricultura.

Reprodução

O ideal é que o macho só comece a reproduzir a partir dos cinco meses de idade e a fêmea a partir dos quatro. Os coelhos reproduzem o ano todo, mas a fase mais fértil ocorre na primavera. Eles devem acasalar quase instantaneamente.

Por garantia, deixe-os juntos por dois dias e, depois, separe-os. Ela dará a cria em cerca de 30 dias. Após o nascimento, verifique o ninho diariamente para checar se todos os filhotes estão vivos e juntinhos uns ao outro, para que se esquentem. Caso não estejam, o melhor é reuni-los. Quando estiverem com 30 dias de idade, retire o ninho. Aos 40 dias de vida, já estarão desmamados e podem ser separados da mãe. Ela também já estará pronta para uma nova gestação.

Alojamento

Deve-se recorrer a uma gaiola específica para coelhos mantendo-a em local fresco mas protegido de correntes de ar e longe do solo para que a urina possa escoar. Quinzenalmente lave e desinfete toda a instalação e utensílios. Durante o primeiro mês em casa solte-o regularmente por breves instantes para que se ambiente ao novo lar.

Alimentação

A alimentação deve ser própria para coelhos devendo manter sempre comida no comedouro. Como complemento dê-lhe fibras vitaminas e sais minerais através de folhas de beterraba e rabanete, assim como ramos de couve-flor. É claro que adoram cenoura, no entanto, uma vez que engorda, deve dar-se em dias alternados.

Higiene

É muito asseado cuidando de forma eficaz da sua própria higiene. Pode também optar por dar-lhe banho desde que o resguarde de correntes de ar e o seque sempre muito bem.

Curiosidades

* O período de gestação de um coelho varia de 28 a 34 dias.

* Os pêlos começam a crescer a partir do sétimo dia.

* Os olhos abrem após o décimo dia.

* Os ouvidos abrem no décimo segundo dia.

* As crias saem do ninho e começam a comer alimento sólido com 18 dias de vida.

* Aos dois meses de vida estão independentes.

* Estão sexualmente maduros aos cinco meses de vida.

* Os coelhos não são roedores. Eles são lagomorfos (caracterizados por terem dentes incisivos de crescimento contínuo, em número de quatro no maxilar superior e apenas dois no maxilar inferior; caninos ausentes), e estão mais próximos dos cavalos do que dos ratos.

* Há apenas uma raça de coelhos domésticos que mudam de cor. São os Champagne D’Argent. Nascem pretos e quando crescem ficam cinzentos.

* Em relação a todos os animais domésticos, é o coelho que se destaca pela precocidade da maturidade sexual;

* Existem mais de 50 raças de coelhos em todo o mundo. O mais conhecido é o chamado “coelho comum”. O coelho selvagem tem hábitos noturnos, mas os coelhos de estimação se adaptaram bem à vida durante o dia.

* O coelho doméstico, mesmo nascido e criado em alojamentos individuais, adquire facilmente todos os costumes do coelho selvagem quando se encontra a algum tempo no ambiente próprio ao coelho selvagem.

* A carne de coelho está tendo crescente demanda no mundo inteiro, em decorrência das suas características de elevado teor de proteína e baixo colesterol, por ser de fácil digestão e ser uma carne branca muito saborosa.

* A pele, depois de curtida, é utilizada na confecção de objetos dos mais variados. O pêlo produz uma lã extremamente macia e leve. Até os dejetos (fezes e urina), depois de curtidos adequadamente em estrumeiras especiais, constituem um ótimo adubo, rico em fosfatos e nitratos.

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