Fotografia: como funciona a câmara fotográfica?
Câmara fotográfica é o aparelho que executa a exposição do material sensível à luz, a câmara funciona com base no princípio óptico da câmara escura, conhecido desde 400 a.C. e estudado por Alhazen, Roger Bacon, Leonardo da Vinci, Girolamo Cardano, Danielo Barbiero e Ignazio Danti. A câmara escura originalmente consistia num quarto totalmente sem luz, no qual uma das paredes tinha um orifício, através do qual se projetava na parede oposta uma imagem invertida.
A primeira câmara fotográfica foi fabricada por Alphonse Giroux por encomenda de Daguerre (1839), em Paris. Consistia em duas caixas de madeira que deslizavam uma dentro da outra para focalizar; uma lente acromática, com tampa metálica capaz de funcionar como obturador; um vidro fosco para a focalização; e um suporte para as placas sensíveis. Surgiram mais tarde outros modelos mas, depois que Talbot inventou as câmaras com caixas telescópicas, não houve grandes modificações.
Descrição e funcionamento
A câmara fotográfica consta dos seguintes componentes: (1) o obturador, que permite a entrada da luz na câmara por tempo determinado; (2) a lente, elemento que capta a imagem; (3) suportes para o material sensível; (4) um invólucro impermeável à luz que sustenta a lente e suportes para o material na posição correta; e (5) um visor para mostrar o objeto que se pretende fotografar. São acessórios o equipamento para iluminação artificial (fotolâmpadas e flash), tripé, filtros, lentes intercambiáveis, telêmetros, fotômetros e outros.
Diafragma e obturador
O orifício que era atravessado pela luz nas antigas câmaras tipo “caixote” foi substituído por um diafragma ajustável, que pode variar a abertura e a quantidade de luz que o filme receberá. As diferentes aberturas são designadas pela notação f/N, em que N, na maioria das câmaras modernas, pode ser: f/1,4, f/2, f/2,8, f/4, f/5,6, f/8, f/11, f/16 e f/22 (o número f é obtido dividindo-se a distância focal da objetiva pelo diâmetro de seu elemento frontal).
Enquanto o diafragma controla a quantidade de luz, o obturador fixa a velocidade da exposição. As câmaras mais sofisticadas permitem várias velocidades de exposição, hoje, em geral, 1 seg, 1/2 seg, 1/4 seg, 1/8 seg, 1/15 seg, 1/30 seg, 1/60 seg, 1/125 seg, 1/250 seg, 1/500 seg e 1/1.000 seg e, em alguns modelos eletrônicos, 1/4.000 seg ou velocidades ainda maiores. O tipo mais comum de obturador (compur) é montado entre os elementos anteriores e posteriores da lente. Ao ser pressionado o disparador, vários setores circulares saltam concentricamente e voltam à posição primitiva. Posteriormente disseminou-se o tipo de obturador de cortina horizontal.
A nitidez da imagem é maior quando a lente está ajustada de acordo com a distância exata ao objeto. Como normalmente uma cena inclui objetos a diferentes distâncias da câmara, há uma perda natural de nitidez. Dentro de uma certa faixa, no entanto, a perda de nitidez é quase imperceptível. Essa faixa é a chamada profundidade de campo. Além de controlar a quantidade de luz que atinge o filme em determinado período de tempo, a abertura do diafragma determina também a profundidade de campo. Quanto menor a abertura (número f elevado), maior a profundidade de campo. Para “parar” um movimento, unem-se velocidade alta, que limita o tempo de incidência de luz, e maior abertura do diafragma. Com velocidades inferiores a 1/50 seg, a câmara deve ser apoiada num tripé, para se manter firme.
Objetivas
As câmaras simples têm uma só lente, montada no orifício que deixa a luz refletida pelo tema atingir o filme. As mais sofisticadas usam sistemas ópticos anastigmáticos que, pela justaposição de duas ou mais lentes, corrigem as aberrações ópticas. Distância focal é aquela entre o centro óptico da objetiva e o plano do filme, quando um objeto afastado está em foco. As câmaras são normalmente equipadas com lentes de distância focal quase iguais à diagonal do filme que usam. A objetiva normal de uma câmara que utilize filme 135 (24mm x 36mm), tem distância focal de 50mm. Lentes com distâncias focais inferiores à lente normal são chamadas grandes-angulares, enquanto as de distância superior são denominadas teleobjetivas. Quanto maior a distância focal da lente, menor a profundidade de campo.
Grande-angular
Equipada com uma objetiva grande-angular, a câmara reproduz uma área maior do assunto. Emprega-se muito em fotografias arquitetônicas e de interiores. É necessário aproximar bem a câmara do objeto para obter uma imagem grande.
Teleobjetiva
Com ângulo de visão mais estreito que a lente normal, a teleobjetiva reproduz uma área menor do tema, mas em escala maior. É útil para fotos de modelos de difícil aproximação, como crianças, animais, detalhes arquitetônicos e cenas desportivas.
Zoom
Lente de distância focal variável, a zoom pode ser utilizada, com continuidade, como grande-angular, lente normal ou teleobjetiva. Dessa forma, o operador, sem sair do lugar, passa de um plano aproximado a uma cena distante.
Iluminação
A exposição correta pode ser medida com o auxílio de fotômetros, tabelas e calculadoras. O tipo de iluminação determina a forma como a foto reproduzirá o tema. A posição e a orientação da luz pode ser usada para criar efeitos de contraste, suavização do tema ou achatamento dos planos. Se a luz é insuficiente, o fotógrafo utiliza iluminação artificial. As fontes mais comuns são a photoflood e o popular flash. Photoflood é uma lâmpada possante, operável na corrente comum, que produz uma luz contínua. O flash produz luz intensa mas de duração momentânea. É valioso na fotografia de objetos em movimento sob luz fraca. Flash e câmara têm de ser sincronizados para operar ao mesmo tempo.
Principais tipos de câmaras
As câmaras podem ser classificadas de acordo com o tipo de filme que usam ou com o visor com que operam. Atualmente, a maioria das câmaras usa filmes de rolo de 35mm de largura, com até 36 fotos (filme 135), embora também sejam comuns os filmes de 9,5mm (110) e 16mm (126). Já os profissionais empregam de preferência filmes 135 ou 120 (6 x 6cm). Todas as câmaras podem ser agrupadas em não-reflex e reflex. Nas primeiras, a visão da imagem através do visor é direta e não corresponde exatamente àquela registrada no filme. Nas outras, um sistema de espelhos e prismas entre a lente e o visor permite que o fotógrafo veja exatamente a imagem que será registrada. As câmaras reflex podem ter uma lente, quando são chamadas SLR (de single-lens reflex, de lente monocular reflex), ou duas, as TLR (de twin-lens reflex, lente reflex geminada). Na década de 1990, a incorporação de objetivas zoom fixas às câmaras de 35mm deu origem a uma nova categoria: a ZLR (zoom-lens reflex).
A câmara de estúdio, ou de fole, é muito utilizada por fotógrafos profissionais para a produção de fotos de alta qualidade, principalmente para a publicidade. Quase sempre montado num tripé, esse equipamento emprega folhas de filme de 10,2 x 12,7cm. Outro tipo de câmara, a de revelação instantânea, criada em 1947, pode produzir cópias coloridas em apenas um minuto, a partir de um filme especial. Esse equipamento tem importante aplicação em perícias técnicas, como as realizadas por companhias de seguros; em testes de iluminação para fotos de estúdio; e na medicina, nos exames de endoscopia.
Automação
No final do século XX, a incorporação da eletrônica às câmaras foi a principal tendência da indústria de equipamentos fotográficos. As câmaras mais modernas oferecem recursos automáticos de focalização, sistema de medição de luz e flash. A máquina é capaz de ajustar o foco, pelo emprego de raios infra-vermelhos ou sinais ultra-sônicos. Em alguns modelos, o fotógrafo escolhe um ponto de focalização, em outros, o sistema seleciona a imagem mais nítida para focalizar ou detecta para onde o fotógrafo está olhando. Sensores eletrônicos acionam o flash, quando a iluminação não é adequada, e selecionam velocidades de disparo, para compensar movimentos do objeto fotografado, e aberturas de lente, de acordo com a luz ambiente.
Fotografia eletrônica
Os dispositivos de gravação de imagens fotográficas em suportes magnéticos surgiram como conseqüência natural da evolução dos computadores e dos videocassetes. O primeiro equipamento de gravação magnética de fotografias em disquetes e fitas foi demonstrado pela Sony, em 1981. Em 1990, a Kodak anunciou o lançamento do Photo CD, capaz de varrer imagens de 35mm e digitalizá-las em discos compactos. As imagens registradas podem ser reproduzidas por meio de um aparelho de televisão ou monitor de computador ou, ainda, impressas em papel. Além de competir com as máquinas convencionais, esse tipo de equipamento é capaz de transmitir a imagem por linha telefônica.
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