O controle de pragas e o uso de produtos pesticidas (praguicidas)
Produtos químicos como pesticidas ou praguicidas são utilizados contra pragas animais ou vegetais prejudiciais ao ser humano e a plantas cultivadas. Combatem a endemias, como o controle da dengue, febre amarela, controle de chagas; e a pragas na lavoura.
Usualmente se diz que determinada praga está controlada, quando se mantém sua densidade populacional abaixo do chamado “nível de dano econômico”, no caso de pragas agrícolas; ou, abaixo do “nível de transmissão”, no caso de doenças transmitidas por vetores, em saúde publica.
Perdas agrícolas devido a pragas
Desde tempos mais remotos, os problemas fitossanitários têm causado inúmeros prejuízos à agricultura. Indubitavelmente, esta batalha persistirá, pois homem, pragas, patógenos e plantas invasoras têm em comum um princípio básico de busca: o alimento, sem o qual não sobrevivem.
A maior expansão demográfica ocorrida no início deste século, a maior demanda de alimentos, o monocultivo, a abertura de novas fronteiras agrícolas em áreas tropicais e sub-tropicais, bem como as significativas modificações nos ecossistemas fizeram com que estes agentes biológicos e seus subseqüentes danos abalassem a economia de diversos países, com enormes prejuízos.
Pragas introduzidas em novas áreas estão custando atualmente à sociedade moderna direta e indiretamente US$ 8 bilhões/ano em perdas na produção e produtividade, adoções de medidas de controle, desemprego, citando apenas alguns fatores.
Em estimativas feitas pelo governo americano, 43 insetos invasores exóticos, no período de 1906 a 1991, causaram prejuízos de US$ 925 bilhões aos cofres públicos. Nos últimos anos, apenas cinco grupos de insetos, foram os responsáveis por US$ 3 bilhões/ano. Para as associações de cotonicultura americanas, no sistema produtivo de algodão, no ano de 2002, os prejuízos somaram US$ 1,2 bilhão/ano provocados por alguns poucos insetos. As perdas totais nessa cultura causadas por esses insetos foram de 4,79%, o que provocou aumentos de US$ 60,67 por acre na adoção de medidas de controle e de US$ 88,80 por acre, considerando custos e perdas.
A introdução do bicudo do algodoeiro, na década de 1980, levou à queda de produção de algodão, principalmente na região nordeste do país, gerando uma catástrofe social. O desenvolvimento de cultivares pela Embrapa adaptadas a outras condições climáticas, associado ao manejo integrado de pragas, está fazendo com que o país, ainda que timidamente, volte a exportar esse produto.
A entrada e dispersão recente da sigatoka negra da bananeira, que entrou pela Venezuela ou pela Colômbia, a mosca-da-carambola vinda, provavelmente da Guiana Francesa, a mosca-negra-dos-citros proveniente do Caribe, a ferrugem asiática da soja, proveniente do Paraguai, além de outros exemplos já ocorridos no Brasil, como a mosca-branca, nematóide do cisto da soja, vírus da tristeza do citros, cancro-cítrico, ferrugem do cafeeiro, vespa-da-madeira, são apenas alguns dos organismos presentes, atualmente, nos sistemas agrícolas de forma localizada ou dispersos nos sistemas agrícolas.
Outro exemplo a ser dado e que não deve ser esquecido de introdução e conseqüente estabelecimento da praga, é o da vassoura-de-bruxa. O Brasil passou do segundo produtor mundial de cacau, em 1985, com uma produção de 500.000 toneladas para um quarto da produção da Costa do Marfim, no ano de 2000. Da mesma forma, o psilídeo de concha que afeta o setor florestal e foi introduzido recentemente poderá ter seu efeito diminuído pela descoberta de um inimigo natural dessa praga, em solo brasileiro. A criação massal desse agente de controle por parte da Embrapa, para liberação em áreas infestadas pelo psilídeo já se iniciou.
Apesar de inúmeras pragas já terem sido introduzidas no Brasil, outras centenas, ainda podem entrar e estabelecer. Em levantamentos recentes realizados pelo Laboratório de Quarentena Vegetal (LQV), da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, observou-se que aproximadamente 1.000 insetos podem colocar em risco a agricultura brasileira. Essas e outras pragas ou espécies invasoras exóticas podem afetar o valor agronômico e florestal de produtos, elevar custos de controle, diminuir a qualidade e quantidade de alimentos disponíveis a sociedade, contaminar o meio-ambiente, entre outros fatores, tirando o país da competição do comércio internacional.
Promessas e problemas das soluções químicas
A utilização de pesticidas químicos é e continuará a ser importante para a redução dos prejuízos das colheitas causados por pragas, nos próximos anos. O mercado de pesticidas registra, atualmente, um volume de receitas de US $30 bilhões por ano, sendo 80% dos pesticidas utilizados nos países desenvolvidos.
Espera-se que a procura dos pesticidas aumentará à medida que os países em desenvolvimento forem aumentando a sua produção agrícola para satisfazer as necessidades nacionais. Essa tendência será, provavelmente, impulsionada por muitas das forças responsáveis pela aceleração do crescimento no passado: a ênfase sobre soluções “químicas” para os problemas agrícolas; a promoção do uso de pesticidas pelos serviços de extensão rural, as campanhas de vendas agressivas dos distribuidores de pesticidas; a quase ausência de investimento em métodos alternativos dos pesticidas para proteger as colheitas, especialmente nos países em desenvolvimento; e uma maior resistência das plantas, o que leva cada vez mais ao uso intensivo de pesticidas com o fim de minorar as perdas.
Assiste-se a uma contínua controvérsia acerca da extensão dos efeitos nocivos dos pesticidas químicos. Devido à criação de uma legislação mais rigorosa sobre o uso de alguns pesticidas e a proibição de outros, as principais sociedades transnacionais que dominam o mercado dos pesticidas estão a investir em novos produtos de pequeno espectro, menos tóxicos e de efeito menos persistentes, a fim de cumprirem as normas mais rigorosas nos seus principais mercados.
Esses novos e melhores produtos, que são mais caros enfrentam a concorrência dos pesticidas mais antigos sem patentes e sem alvos definidos, que contêm compostos perigosos proibidos, mas a fiscalização do cumprimento da legislação é muito pouco rigorosa.
Problemas originados pelo uso de inseticidas
Os inseticidas produzidos nas décadas de 50 e 60 foram muito eficientes e baratos, no entanto trouxeram vários efeitos indesejáveis:
• A resistência das pragas;
• Destruição de organismos não-alvos;
• Ressurgência de pragas como conseqüências dos fatores a cima;
• Surgimento de pragas secundárias;
• Efeitos adversos ao meio ambiente através da contaminação do solo e da água.
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