Transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGMs) são seres vivos cuja estrutura genética a parte da célula onde está armazenado o código da vida, o DNA foi modificado pelo homem através da engenharia genética, de modo a atribuir a esses seres uma determinada característica não programada por sua natureza.

Segundo dados do Greenpeace, em 1990 não haviam lavouras comerciais de soja transgênica. Já em 1998, a área cultivada tinha superado os 28 milhões de hectares. Os principais cultivos de transgênicos hoje são o de soja, milho, algodão, e batata.

Entretanto já existem em fase de testes banana, brócolis, café, cenoura, morango e trigo. No Brasil, a Embrapa estuda os transgênicos desde 1981. O primeiro projeto introduziu genes da castanha-do-pará no feijão para aumentar seu valor nutricional. Hoje a Embrapa trabalha com soja, banana, algodão, abacaxi, batata, entre outros.

Mas como tudo começou? Embora o tema tenha se tornado popular com o cultivo de lavouras experimentais, modificações genéticas são realizadas desde os anos 80. O começo se deu com alterações nos genes de microorganismos, como bactérias.

E como nas plantas transgênicas, o processo utilizado para a modificação do conteúdo genético consiste, basicamente, na inserção de genes de outras espécies, sejam elas vegetais ou animais, ou até mesmo de micróbios, os transgenes poderão ser retirados originalmente de formas de vida totalmente distintas. Por exemplo, um tipo de milho transgênico cuja característica implantada consiste na produção de suas próprias defesas contra insetos, poderá ter sua seqüência genética alterada através da inserção de genes de uma bactéria danosa ao inseto.

Problemas para a saúde?

Além de questões ambientais, os alimentos transgênicos também geram dúvidas quanto aos riscos à saúde humana. Dada a própria novidade da tecnologia da engenharia genética, os efeitos que os transgênicos poderão causar no organismo humano e no meio- ambiente a médio e a longo prazo ainda são desconhecidos, não havendo nenhuma conclusão definitiva sobre o assunto. Os cientistas levaram 45 anos para descobrir que o gás CFC era extremamente prejudicial à camada de ozônio. Em 1947, quando se iniciou o uso de DDT em lavouras, só se conheciam seus efeitos positivos. Foram necessários 20 anos para que os malefício à saúde humana pudessem ser comprovados.

Os principais argumentos contrários vêm de ecologistas que apontam os transgênicos como vilões, afirmando que a ciência não tem controle total sobre o funcionamento dos genes, e que só o interesse econômico justifica a velocidade com que os transgênicos estão chegando à mesa do consumidor; não porque são mais produtivos, mas porque podem ser patenteados e garantir altos lucros.

Isso é um grande problema, já que apenas 10 países respondem por 84% dos recursos para pesquisa e desenvolvimento no mundo e controlam 95% das patentes. Pessoas ou empresas de países industrializados detém os direitos sobre 80% das patentes concedidas nos países subdesenvolvidos. Quais seriam os efeitos de tamanha dependência nesse setor? Como ficariam as populações de países em desenvolvimento que não podem pagar o preço dessa nova tecnologia?

Os ambientalistas até já criaram um apelido para esses tipo de comida: Frankenfood, uma mistura de Frankenstein e food (comida em inglês).

Muitos cientistas também alertam para o perigo da manipulação genética. Uma empresa dos Estados Unidos patenteou um gene apelidado de “exterminador”. Ele é incorporado às sementes, que após colhidas passar a ter sementes estéreis. Isto obriga o agricultor a comprar a semente sempre que for plantar. O gene exterminador poderá ser levado pelo vento junto com os grãos de pólen e fecundar as flores de plantas silvestres ou domésticas, tornando-as também estéreis, e provocando uma irreparável destruição no patrimônio biológico da humanidade.

Outro problema gravíssimo, afirmam os ‘anti-transgênicos’, é a perda do controle sobre esses alimentos, fazendo com que outros sejam afetados, o que prejudicaria outras espécies de plantas, além de animais, causando um desequilíbrio ecológico com conseqüências imprevisíveis. Um exemplo disso é o caso do estudo comandado pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, sobre a enorme mortalidade de borboletas Monarch após serem alimentadas com o pólen do milho geneticamente modificado Bt. Losey, depois que houve falhas de controle em sua experiência.

Organismos antes cultivados para serem usados na alimentação, estão sendo modificados para produzirem produtos farmacêuticos e químicos. Essas plantas alteradas poderiam fazer uma polinização cruzada com espécies semelhantes e, deste modo, contaminar plantas utilizadas exclusivamente na alimentação.

O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode causar resultados inesperados, uma vez que os genes de outras partes do organismo podem ser afetados. No caso da soja modificada, existe o temor de que a substância EPSPS provoque efeitos inesperados no organismo dos consumidores, como alergias ou outro tipo de doença. Mesmo que o gene tenha sido preparado em laboratório para funcionar apenas nas folhas, e não nos grãos &ndash a parte comestível da planta, não há como garantir que eles atuarão da forma programada.

Novas proteínas que causam reações alérgicas podem entrar nos alimentos. Transferidas de um alimento para outro, as proteínas podem conferir à nova planta as propriedades alérgicas do doador. As pessoas normalmente identificam os produtos que as afetam. Entretanto, com a transferencia das proteína alérgica de um produto para o outro sem o provável conhecimento, perde-se a identificação e a pessoa só vai descobrir o que lhe fez mal após a ingestão do alimento perigoso.

Enfim, são muitos os malefícios que os transgênicos podem causar. Mas a maioria dos cientistas acha que isso é paranóia. Doutor em Genética e pesquisador da Embrapa, Manuel Teixeira Souza Júnior afirma que:

“A engenharia genética permite que se façam alterações pontuais nos genomas, utilizando genes cuja ação é estudada antes e depois de serem inseridas na planta. Já a obtenção convencional de híbridos por cruzamento envolve um conjunto de genes que sequer são conhecidos. É como abater um alvo no escuro.”

Quanto ao argumento de que os OGMs podem provocar alergias ou mal-estar, o professor de Bioquímica Walter Ribeiro, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que mesmo os alimentos naturais apresentam inibidores de enzimas capaz de causar distúrbios.

Hoje a discussão sobre os transgênicos não é apenas biológica. É também ética e econômica. Para o atual presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Renan Proença ” a discussão sobre os organismos geneticamente modificados não pode restringir-se ao campo ideológico ou do puro palpite. A agricultura de hoje é muito poluidora e a biotecnologia tem como uma das funções resolver esse problema “. Para ele a engenharia genética ” é uma conquista para incrementar o progresso humano e não um monstro que deve ser combatido como um inimigo.

Uma das grandes causas dos transgênicos é em benefício da saúde. Um alimento pode ser enriquecido com um componente nutricional essencial. Um exemplo é do feijão que, por inserção de gene da castanha-do-pará, passou produzir metionina, um aminoácido essencial para a vida. Ou um arroz, que geneticamente modificado, produz vitamina A. Plantas geneticamente modificadas também pode ter a função de prevenir, reduzir ou evitar riscos de doenças, através produção de proteínas e até mesmo vacinas.

Outro benefício desse tipo de alimento está na diminuição do uso de agrotóxicos. Pode-se introduzir numa planta um gene capaz de faze-la ficar resistente a pragas e doenças, baixando, com isso, o custo de produção e o preço do alimento para os consumidores.

Também pode-se fazer com que a planta adquira genes que façam com que o seu período de desenvolvimento seja mais curto, o que determina uma colheita rápida e um aumento na produtividade, sem que haja um aumento no preço do produto final.

Aumento na produção agrícola

Essa é outra das grandes finalidades dos transgênicos, dizem os cientistas e defensores. Com uma população que, em 30 anos, pode ser de 12 bilhões de pessoas o dobro de hoje algo tem que ser feito para aumentar a produção de alimentos e amenizar a fome principalmente nos países subdesenvolvidos.

A questão é que, há pelo menos 8.000 anos, o homem intervém, de algum modo nas culturas agrícolas, a ponto de nenhuma das plantas que alimentam a humanidade encontrar-se hoje em seu estado original. Se isso trouxe mais prejuízos do que benefícios, é outra controvérsia.

Existem pessoas como Doug Parr, pertencente à organização não-governamental Greenpeace, que preferiam que nada saísse do controle da mãe-natureza. Nem mesmo nos casos em que a justificativa é salvar colheitas de pragas. Segundo o cientista, há alternativas naturais viáveis, como ficou provado no Quênia. Ali, a broca de milho foi eliminada de muitas plantações com a introdução de um capim que, plantado ente os pés do milho, repelem o inseto e, ao final da colheita, ainda serve como alimentos para animais.

Se o objetivo é um alimento sem agrotóxicos, uma das soluções poderia ser os alimentos orgânicos, produzidos da forma mais natural possível, com adubo orgânico, como esterco e restos de vegetais. O gosto amargo desses alimentos está no preço.

Segundo a Associação de Agricultura Orgânica, eles podem custar de duas a dez vezes mais que os similares produzidos à base de tecnologia. E a pequena produção brasileira não alcança a demanda quase tudo é exportado para os Estados Unidos e a Europa. ” Interessante é ver que os estrangeiros, que inventaram os transgênicos, na hora de comer preferem os orgânicos”, comenta Ricardo Cerveira, agrônomo da Associação de Agricultura Orgânica.

Palavras relacionadas a este artigo:
  • alimentos transgênicos vantagens e desvantagens
  • milho transgênico vantagens e desvantagens
  • produtos transgênicos vantagens e desvantagens
  • Qiaus são as vantagens e desvantagens de se modificar uma paisagem natural para o meio ambiente e para a sociedade
  • quais sao os alimentos transgênicos utilizados pela populacao brasileira