Quais são as doenças causadas pela obesidade? (excesso de gordura e saúde)

Obesidade e doenças

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A obesidade tornou-se uma epidemia global, segundo a Organização Mundial da Saúde ligada à Organização das Nações Unidas. O problema vem atingindo um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo e entre as principais causas desse crescimento estão o modo de vida sedentário e a má alimentação.

A taxa de mortalidade entre homens obesos de 25 a 40 anos é 12 vezes maior quando comparada à taxa de mortalidade entre indivíduos de peso normal. O excesso de peso e de gordura no corpo desencadeia e piora problemas de saúde que poderiam ser evitados. Em alguns casos, a boa notícia é que a perda de peso leva à cura, como no caso da asma, mas em outros, como o infarto, não há solução.

Se você ainda tem dúvidas dos problemas que a obesidade pode trazer, listamos as doenças que, comprovadas por pesquisas científicas, são geradas pelo excesso de peso.

Coração:

As primeiras doenças que costumam afetar o obeso são as do coração. O coração de uma pessoa acima do peso tem que trabalhar mais. Se seu peso ideal é 70kg, seu coração foi feito para trabalhar num corpo de 70 kg. Se você pesa 100, ele tem que trabalhar para um corpo de 70 e mais um de 30 e fica sobrecarregado.

Entre as várias doenças do coração está a hipertrofia ventricular, que é o aumento do músculo do coração por excesso de trabalho. A hipertrofia pode evoluir para a insuficiência e gerar arritmia e também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral e morte súbita.

Hipertensão:

A hipertensão é outro problema comum entre os obesos. Um estudo americano mostrou que 75% dos hipertensos são obesos. O motivo é a alta produção de insulina; por isso muitas vezes o obeso não é diabético, mas tem problema com a pressão alta. A insulina funciona na manutenção do tamanho dos vasos sanguíneos e também favorece a absorção de água e sódio.

Uma alimentação não balanceada somada à compressão dos vasos sanguíneos resulta na pressão alta, que aumenta os problemas no coração.

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, o problema é a causa de 40% das mortes por acidente vascular cerebral (avc/derrame).

Trombose:

Como o coração do obeso funciona com dificuldade, há um mau bombeamento de sangue para o corpo inteiro, gerando doenças ligadas ao sistema vascular.

É comum que obesos tenham varizes nas pernas e enfrentem um risco maior de ter trombose (acúmulo de coágulos de sangue dentro de vasos sanguíneos).

Uma pesquisa publicada no American Journal of Medicine, em 2005, mostrou que os pacientes obesos tinham 2,5 vezes mais chance de ter trombose do que os indivíduos não obesos. E esse risco foi maior entre as mulheres obesas do que entre os homens obesos (2,75 contra 2,02, respectivamente) e entre os pacientes obesos com menos de 40 anos, em relação aos mais velhos.

Apnéia:

Apnéia é a parada respiratória involuntária durante o sono, muito comum entre os obesos, é pouco conhecida e muito grave. O problema atinge mais da metade dos obesos mórbidos.

A apnéia acontece mais nos obesos porque eles têm excesso de gordura na região do pescoço e a faringe fica mais estreita, facilitando o fechamento involuntário. Na posição horizontal do corpo durante o sono, a expansão do pulmão para a respiração também é mais difícil.

Quem sofre de apneia não tem um sono normal e enfrenta problemas durante o dia, como cansaço, dificuldade de concentração e pressão alta.

Esteatose hepática:

É o acumulo de gordura no fígado, órgão responsável pelo metabolismo dos lipídeos, que viram glicose e vão para o sangue.

Quando há um excesso de gordura ingerida, o fígado não consegue metabolizar tudo e parte se acumula no órgão, que pode desenvolver cirrose ou fibrose. A cirrose é normalmente associada à ingestão de álcool, mas neste caso, pode aparecer em pessoas que não bebem.

Depressão:

O problema psiquiátrico afeta uma grande quantidade de obesos. Estatísticas mostram que, na população, 30% das pessoas terão algum tipo de depressão ao longo da vida. Já entre os obesos, esse número sobre para 89%.

São pessoas que sofrem muito com a autoestima, principalmente na adolescência, uma fase em que é importante a socialização. A depressão é uma doença tão importante quanto a pressão alta, por exemplo.

Asma:

A asma está relacionada à presença de uma substância produzida no tecido adiposo, capaz de provocar o fechamento dos brônquios. Estudos já mostraram que, quanto maior o índice de massa corporal, maior a quantidade dessa substância é produzida pelo corpo. Por isso, os obesos sofrem mais de asma.

Infertilidade e gravidez de risco:

A produção anormal de hormônio nas mulheres obesas desencadeia uma série de problemas relacionados à gravidez.

A alta taxa de gordura no corpo provoca maior produção de testosterona (hormônio masculino), a menstruação fica irregular e a mulher tem mais dificuldade para engravidar. A gravidez da mulher obesa costuma ser de alto risco. Ela pode abortar devido à pressão alta e o bebê também pode ser afetado.

Um estudo lançado na revista da Associação Americana de Medicina mostrou que as obesas têm o dobro de chance de ter filhos com problemas congênitos, como má formação da medula espinhal (que pode levar a um aborto ou a falta de movimento dos membros inferiores) e do coração.

O diabetes do tipo 2, que afeta muitas mulheres obesas, também é um fator de risco para gerar problemas no sistema nervoso central e no coração do bebê.

Os resultados de ultrassonografia também são mais imprecisos em mulheres obesas, pois a camada de gordura abdominal atrapalha o exame.

Neoplasia:

Esse tipo de crescimento desordenado de células, que pode ser benigno ou virar um câncer, é facilitado pelo aumento de peso. Obesos têm deficiência de um tipo de linfócito chamamo “natural killer” (assassino natural) que combate células mutantes.

Muitos casos de câncer são combatidos pelo nosso corpo porque essas células atuam em nossa defesa. Mas, no caso do obeso, as células não conseguem combater sozinhas e o tumor pode se desenvolver.

O aumento de massa corpórea é um fator de risco para mulheres desenvolverem câncer de mama e de endométrio.

Colesterol alto:

Os obesos têm baixa taxa de HDL, o colesterol bom que diminui o risco de ataque cardíaco e ajuda a remover o colesterol ruim das paredes das artérias. O acúmulo de gordura dentro dos vasos pode causa entupimento e até um infarto.

Diabetes do tipo 2:

No Brasil, existem de 7 a 8 milhões de pessoas com diabetes do tipo 2. Isso representa 5% da população, porcentagem que é a média em outros lugares do mundo. Porém, mais de 70% dessas pessoas com diabetes têm algum grau de peso acima do normal.

O diabetes tem fatores genéticos, mas quanto maior o peso de uma pessoa, maior a chance de ele aparecer. Isso acontece porque o aumento do peso e da gordura no corpo ocasiona uma resistência à ação da insulina, o hormônio que auxilia o organismo a regular os níveis de glicose.

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