A arte romana do baixo Império (período de declínio romano) já não apresentava observação restrita aos padrões clássicos. Com a conquista de reinos cada vez mais distantes e a assimilação dessas culturas à arte grega, que até então tinha tido um papel de destaque no Império Romano, começa a dar vez a novas escolhas estéticas. Portanto, já antes do Cristianismo e do começo da Idade Média, podemos perceber padrões artísticos próximos desse período histórico.

Essas observações vão de encontro às crenças de que os artistas na Idade Média perderam o conhecimento da arte clássica. Estudos recentes têm apontado na direção de que menos que uma perda de técnica, essa transformação da arte implicou numa escolha dos arperítistas fundamentada em gosto estético.

Entretanto, as invasões “bárbaras“, tiveram também contribuição decisiva na cultura e arte que observamos na Idade Média. Os povos que entravam nas regiões que pertenciam ao Império Romano traziam consigo seus próprios valores e expressões artísticas. Nesse contato inicial, a arte mais monumental cedeu espaço para a arte realizada em pequena escala, aos objetos portáteis, devido à própria condição migratória desses povos.

A tradição decorativa era sua bagagem mais freqüente, normalmente através de formas abstratas e, principalmente, estilização de animais. Além disso, traziam técnicas artesanais de trabalhos com metais preciosos e conhecimento na realização de jóias, armas, ornamentação, etc. “O cervo“, uma estátua de ouro de 32 cm de comprimento, realizada por essas tribos nos séculos VI ou VII a.C., atualmente em museu russo, costuma ser considerado um dos melhores exemplares desses trabalhos.

Em sua tradição, era comum, por exemplo, a estilização dos cornos desse animal. Além disso, as representação costumava levar em conta mais os aspectos observáveis na superfície do que um real estudo anatômico. A conversão de muitas dessas tribos ao cristianismo, marca o início de uma arte mais familiar à Idade Média, com temas do imaginário cristão unidos às formas abstratas, estilização de animais e um resto da tradição clássica. Um exemplo da junção da cultura dessas tribos ao mundo romano pode ser dado pelos gauleses celtas, que entraram em contato com a arte chinesa, com a arte etrusca e a da Grécia Antiga através de comércio e invasões.

Seus motivos artísticos como espirais ou os três ramos que partiam de um centro em espirais e curvas, acabaram sendo incorporadas à posterior iluminação de manuscritos. Talvez tenham sido as ilhas britânicas o cenário que abriga a maior quantidade de expressões artísticas dessa época migratória. Os celtas da Irlanda e da Escócia, cristianizados, atribuíam grande valor à vida monástica. Com a unificação dos Irlandeses e Anglo-Saxões, surge uma arte bastante rica, baseada em elementos de cada uma dessas tradições.

O Lindisfarne Gospels contém belíssimas imagens de ilustrações de manuscritos feitas no monastério da Ilha de Lindisfarne. Retratos de evangelhistas ocupando páginas inteiras, profunda simbologia, cores, figuras abstratas e estilizadas são algumas das características dessas iluminações consideradas uma das mais belas do período.

É interessante assinalar a posição dos monastérios durante o início da Idade Média. Tendo aparecido logo no começo da época, acabaram fornecendo ao mundo medieval conturbado e confuso pelas constantes invasões e hegemonias rápidas que se sucediam, uma garantia de unidade e estabilização, preservando as características civilizatórias já atingidas pela humanidade. O estudo e a literatura eram tradições nos monastérios, principalmente esses assuntos ligados à produção da antiguidade. Com essas normas, acabaram ajudando na preservação de aspectos culturais que poderiam estar perdidos.

Os mosteiros beneditos, por suas normas e pioneirismo, tiveram especial atuação nessa tarefa. Apesar do grande número de povos que invadiram os domínios do Império Romano, vamos nos centrar, em especial, na arte dos lombardos e visigóticos.

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