Saiba um pouco sobre os sapos e seus venenos

Os sapos, que vivem primeiramente em suas formas jovens ‘como peixes na água’, experimentam, ao se desenvolverem para suas formas adultas e se tornarem animais terrestres, uma impregnação da sua organização corporal com o elemento aéreo.

Paralelamente ocorre a invaginação da organização aérea, a formação do pulmão com a evaginação das extremidades. As brânquias e a cauda se atrofiam. Acontece uma astralização intensa e trans-animação do animal que foi inicialmente configurado pelo seu corpo etérico.

O elemento anímico, que surge organicamente, se manifesta inclusive exteriormente através de uma espécie de voz abafada. O pulo no qual se descarrega o movimento entra ainda que de uma forma caricatural na esfera do elemento aéreo. As rãs voadoras podem quase que pairar no ar através de uma poderosa formação cutânea entre os dedos que as seguram como se fossem um para-quedas. A capacidade de sensação anímica ainda é difusamente distribuída no corpo e na atmosfera e torna o animal extraordinariamente sensível às mudanças do tempo.

Um órgão muito interessante desta espécie animal é a pele do corpo que representa uma estrutura extraordinariamente permeável em contra-posição à pele quase cornificada das cobras, pele que a separa de uma forma considerável do mundo exterior. Os anfíbios não só podem respirar através de sua pele, mas também incorporam água, dependendo de sua necessidade, através da pele. Uma pele assim constituída não limita e sim deixa fluir e interfluir o meio interno com o meio externo. Por isto o anfíbio pode viver animicamente tanto na atmosfera como no seu corpo. Os concertos das rãs expressam não só o estado do tempo mas também o estado corporal do animal.

Esta pele nua, impregnada de ricas glândulas e em um estado semi úmido, semi mucilaginoso, é antes de tudo uma membrana mucosa. Pode-se compará-la com a membrana do intestino grosso dos animais superiores e é totalmente diferente da pele exterior destes animais superiores. A sua transparência, a sua permeabilidade para o ar e a água apontam para este fato, para esta relação entre interior e exterior. Isto acontece numa pele normal quando esta se invagina para dentro em cada abertura do corpo e através do qual ela se transforma em mucosa, isto acontece com o anfíbio já no seu primeiro contato com o mundo exterior que, para ele não é exterior. Para tal animal, interior e exterior não representam realidades vitais da mesma forma que para os animais superiores ou para os animais bem separados (delimitados) do meio ambiente.

Este “estar entregue” ao mundo exterior também se expressa na capacidade de adaptação das cores desta pele com o meio ambiente e que é própria de muitos anfíbios e mostra que estes anfíbios não podem se isolar das características do meio ambiente e o imitam com a cor. Uns imitam o verde da grama, outros o marrom da terra, etc.

Mas como o elemento anímico pode se prender a uma corporalidade assim constituída? Aparentemente este parece fluir através desta corporalidade. Onde o elemento anímico encontra o ponto de apoio, a possibilidade de desenvolver a força de antipatia necessária com a qual se delimita do meio ambiente? Então o olhar se volta para as glândulas produtoras de veneno que estão inclusas na pele destes animais.

Tocando-se uma salamandra comum ou um sapo, este toque excitará as forças de antipatia das glândulas do veneno e assim elas representam o local onde o elemento anímico dos anfíbios pode se prender e onde se encontra o órgão ativador das suas forças de antipatia. Também aqui nós encontramos o processo do veneno na intervenção do elemento anímico no mundo espacial físico onde, sem o veneno, não haveria a possibilidade deste elemento anímico entrar neste mundo através de órgãos corporais especificamente configurados para isto. E assim este elemento pode então se segurar, se afirmar e se delimitar.

Entre os anfíbios, as rãs e os sapos são os mais evoluídos. Os sapos, que entre os anfíbios são os que se tornaram mais terrestres, podem inclusive secretar seu veneno para fora, o que não é possível para as rãs.

Rudolf Steiner indicou o veneno do sapo como um medicamento coadjuvante no tratamento dos carcinomas. De acordo com ele, o processo formativo do carcinoma se baseia no deslocamento de tendências formativas da esfera dos órgãos sensoriais, especialmente do ouvido, para a esfera da organização metabólica e das extremidades, que nós devemos nos representar como atuantes em todo o organismo humano ainda que esteja centrada principalmente na organização inferior deste organismo. A organização anímica do corpo astral não impregna respiratoriamente de forma correta a organização físico-etérica. Esta não é suficientemente dominada pela primeira e acontece então um crescimento e uma proliferação sem sentido.

De fato devemos ver na formação do câncer uma espécie de loucura orgânica, de loucura sensorial e o sentido que mais intensamente está formado pelo ar, para o ar é justamente o ouvido que recebe os sons. Um animal tão intensamente trans-aerificado em sua configuração físico-etérica como é o sapo, que fixa seu elemento astral ao corpo com a ajuda do processo do veneno e que através de sua capacidade de produzir sons transcende intensamente o nível evolutivo no qual se encontra na esfera animal representa então, de fato, um processo da natureza que mostra uma espécie de contraposição ao processo de formação do carcinoma.

Naturalmente que tais reflexões não levaram ao descobrimento de tal medicamento como um medicamento para o câncer. Rudolf Steiner percebeu isto como um resultado imediato da sua pesquisa espiritual. Mas o que para a percepção espiritual é imediato pode se tornar compreensível para o pensar, através da visão conjunta dos fenômenos e é isto que nós tentamos aqui.

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