A Perestroika tinha como proposta a aceleração sócio-econômica, e pressupunha mudanças para um novo modelo com o objetivo de converter em crescimento econômico para a URSS.

Mikhail Gorbachev a define como uma tarefa revolucionária e que envolve mudanças radicais de curso para um estágio qualitativamente novo, apontando novos horizontes: uma sociedade produtiva, autonomia, harmonia, comprometimento pela paz e a prosperidade.

Sua necessidade de implantação surge após a quase estagnação dos anos 80 que refletiu grandemente na vida social da população em diversos aspectos como aumento da mortalidade, diminuição no abastecimento alimentar, queda na produção de bens de consumo popular devido à ausência de investimentos e defasagem tecnológica.

Em 1985 o Comitê Central sob gestão do governo de Mikhail S. Gorbatchev declara medidas que visam o crescimento econômico e social, entre elas estão:

• Um reforço simultâneo das instâncias centrais do plano e dos dirigentes de empresas, com redução do poder dos organismos intermediários como os ministérios;
• A criação de Comitês agroindustriais para estimular a modernização da agricultura;
• Uma ampliação da área de produção mercantil na agricultura e nos serviços;
• Uma atenção prioritária à tecnologia de ponta e aos setores industriais considerados responsáveis por ela: eletrônica, robótica, máquinas elétricas, lasers, biogenética, equipamentos científicos, a fim de superar o atraso tecnológico da União Soviética com relação aos países imperialistas;
• Uma importância maior dada à modernização das empresas existentes mais do que à construção de novas;
• Uma repressão mais dura à corrupção, ao mercado negro, etc. (Mandel, 1989 p. 107 – 108).

Estas medidas se assemelhavam grandemente as propostas anteriores de reforma econômica “Liberman” – nos anos 60, e a “Kossiguin” – nos anos 70, sendo baseada na adoção de um programa com o objetivo de investir em inovação tecnológica e no setor de bens de produção procurando sempre intensificar o processo econômico, sendo que o que diferencia a Perestroika das propostas anteriores de reforma econômica é a busca de crescimento em conjunto com a reforma política e social.

No entanto embora soubessem quais eram os problemas da URSS o governo não consegue deixar claro quais seriam os caminhos a serem seguidos e para onde eles levariam, sabiam que era preciso reformar o sistema econômico defasado, mas havia o contraste marcado pela cautela quanto ao que fazer e a pouca ou nenhuma nitidez de para onde essas medidas levariam, sabendo que estas medidas em todo tempo tinham como objetivo o fortalecimento do socialismo, negando que os reformadores tinham em mente a vontade de converter a URSS ao capitalismo (Rodrigues, 2006), como declara Gorbatchev:

“Não economizaremos esforços para desenvolver e fortalecer o socialismo […] É por isso que achamos estranhas as propostas, algumas até sinceras, de que alteremos nosso sistema social e nos voltemos para métodos e fórmulas típicas de um contexto social diverso. Os que fazem tais sugestões não percebem que isso é impossível, mesmo que houvesse alguém que desejasse converter a URSS ao capitalismo.”

O modo como este processo seria introduzido tinha como caminho a diminuição do poder centralizado, menos controle sobre as empresas e a reintrodução gradual de mecanismos de mercado na economia (Rodrigues, 2006).

Mas entre 1985 a 1986 poucos foram os avanços realizados, as mudanças se baseavam em reformas de gestão e burocracias do sistema onde se buscava conseguir aumentar a produtividade e reverter problemas burocráticos de maior relevância que impediam o desenvolvimento.

Logo se concluiu que seria necessário introduzir primeiramente mudanças no regime político e na sociedade, observaram que um maior nível de democratização é que possibilitaria o avanço da Perestroika. Era preciso então fazer apelos a sociedade buscando seu apoio, pois a ala dos conversadores do Estado possuía grande resistência a Perestroika, sendo eles também que impediram a realização das outras reformas econômicas devido à preocupação com eventual perda de privilégios e da centralização do poder do Estado em suas mãos.

Para Gorbachev era necessário haver mais liberdade e democracia ”[…] A própria Perestroika só pode ser consumada através da democracia.” (1989 p. 33). Conciliando assim abertura econômica e social. E com o programa político de transparência, visibilidade, publicidade, direito à informação – Glasnost – foi introduzida pelo governo viabilizando maior democracia ao Estado, e a partir de então as reformas econômicas começaram a ser aceleradas.

No Congresso a primeira reforma, aprovada em 1986, permitia o trabalho individual privado nos setores de comércio, artesanato e alguns serviços, o que permitiu que trabalhadores antes obrigados a exercer suas atividades de forma clandestina, ficassem dentro da lei, com as condições de ser individual, não sendo permitido empregar pessoas de forma assalariadas, o que dinamizou a economia.

Na agricultura, um estatuto permitiu a diminuição na rigidez dos critérios de coletivização e um aumento das concessões dadas aos camponeses, o que alterou o cenário de grande controle estatal e coletivização da produção para um de estimulo à produção privada. Um sistema que permitia aos grupos de trabalhadores reterem uma parte da produção que já havia sido testado na década de 60 foi reintroduzido.

Em ambas as iniciativas houve a intenção de tornar autônomas as atividades econômicas, e por tanto enfraquecer o controle centralista tradicional. No entanto havia ainda grande receio quanto ao que isso poderia ocasionar, surgindo então novas sanções e restrições, dificultando aquilo que se queria na teoria.

Uma importante reforma foi aprovada em 1987, e dava maior autonomia às empresas, tinham como principio da atividade da empresa: o calculo econômico, o autofinanciamento e a autogestão. A partir de então as empresas ficariam responsáveis por cobrir suas próprias despesas e gerar lucro sendo que parte ficaria com o Estado e a outra para a empresa. Elas passavam a ser avaliadas pelo lucro que dariam e pela qualidade de seus produtos em vez de terem que cumprir metas pré estabelecidas pelo governo. As empresas seriam livres para estabelecer os preços de suas mercadorias, estabelecer o salário de seus funcionários, escolher seus fornecedores e relacionar-se diretamente com seus clientes.

As empresas já não seriam mais subsidiadas pelo governo, tendo que se auto-financiarem com seus lucros; aquelas que operassem no “vermelho” teriam que declarar falência. O acesso ao crédito seria descentralizado e bancos seriam criados para financiar o alento industrial.

No entanto os líderes do plano de reconstrução da economia, que estava direcionando o país chegaram à conclusão de que era preciso reformar o Sistema Político vigente, em busca de um maior nível de democracia, pois concluíram que só conseguiriam alcançar o sucesso econômico proposto com a democratização radical do sistema político.

Dentro do PCUS havia o grupo dos conservadores, que temiam os direcionamentos da reforma e do outro lado o grupo dos reformadores mais radicais, que exigiam e pressionavam o governo buscando atitudes e resultados econômicos e sociais.
Durante algumas reuniões do Comitê Central para serem tomadas decisões quanto a reformas necessárias esses dois grupos não conseguiam entrar em consenso nas decisões, sendo então convocado a XIX Conferencia Pan-Soviética do Partido Comunista que tinha em sua formação milhares de delegados com o objetivo de chegar a um consenso sobre o sistema político e através de debates de teses que criticavam o centralismo, partiram então da proposta de criação de um Estado baseado no respeito ao direito individual.

A primeira decisão tomada foi de convocar uma nova Assembléia, sendo esta eleita pela sociedade, denominado Congresso de Deputados do Povo, que seria formado por 2250 eleitos, estes por sua vez elegeriam um Soviete Supremo com 500 deputados, que através do voto secreto elegeriam um presidente com amplos poderes, possibilitando assim a participação do povo na escolha dos políticos, podendo influenciar na tomada de decisão do governo.

E tanto o Presidente como os Deputados não precisariam mais prestar contas ao partido, sendo que a meta final desta reforma política é descrita por Gorbachev como o enriquecimento multifacetário dos direitos humanos e a crescente atividade social dos soviéticos, ampliando ao máximo a participação dos trabalhadores na gestão, descentralizando o Estado.

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